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Circo da Lama

"Se ele for para a Suiça, não lhe guardo as vacas", David Queiroz, pai de António, vencedor da Casa dos Segredos

"Se ele for para a Suiça, não lhe guardo as vacas", David Queiroz, pai de António, vencedor da Casa dos Segredos

Circo da Lama

30
Ago09

Da servidão humana

Bruno Vieira Amaral

 
Publicado no i
 
Há bandas que procuram a canção pop perfeita. Os romancistas norte-americanos procuram o grande romance americano. O Santo Graal das letras americanas teria de ser um grande fresco de toda a história americana; mítico mas que projectasse o homem comum; exemplar dos valores americanos, inspirador e escrito na língua telúrica das pedras e da paisagem, a língua de Whitman, de Twain e de Faulkner. Um romance onde coubesse toda a América, um romance que fosse a América.
 
Por esse motivo, pode parecer estranho que um livro escrito por uma mulher negra, sobre a vida de uma escrava e da sua luta para se reconstruir em liberdade, que decorre em meados do século XIX, seja talvez o mais próximo que os escritores americanos estiveram daquele grande romance. É o relato de uma experiência minoritária, sobre uma das páginas negras da história americana e, no entanto, Beloved ultrapassa claramente esses limites. Em vez da construção épica de um país, temos a história de Sethe, mulher, negra e escrava em fuga de uma plantação, Sweet Home, rumo à liberdade. Privado de desejos e vontade própria, o escravo não tinha autorização para se apegar aos seus porque nada lhe pertencia. O seu corpo, animalizado, brutalizado e violado, não lhe pertencia. Para não sofrer mais, o escravo nem sequer se podia afeiçoar aos filhos, porque “não valia a pena memorizar feições que nunca veria transformarem-se em adultas”, “assim protegíamo-nos e amávamos pouco”. Para o escravo, a liberdade era mais do que a carta de alforria, o soldo pago pelo suor do rosto, era “chegar a um lugar onde se podia amar tudo aquilo que se escolhesse - sem precisar da autorização para o desejo”. Quando Sethe se vê novamente sob a ameaça de perder o que conquistou com a fuga, recusa-se a aceitar que os filhos voltem para o lugar escuro de onde escaparam e degola a própria filha. E o que é mais chocante no sacrifício é a necessidade que subjaz ao acto aparentemente tresloucado. Tal como Abraão ouve a voz de Deus e não hesita em sacrificar o seu único filho, Sethe está disposta a matar os filhos para os poupar à não-vida da escravidão. O que parece loucura é, afinal, amor. Depois de conhecer a liberdade, Sethe não quer que os filhos sintam na pele a mesma árvore de carne viva que ela carrega às costas. A memória do sofrimento não se cinge às cicatrizes físicas. Beloved é também uma história de fantasmas que não se podem esquecer (o fantasma da criança morta assombra a casa de Sethe e encarna nessa criatura vinda de lado nenhum que se chama Beloved), de passados que não se podem exorcizar.
 
O Nobel que Toni Morrison recebeu deve-se sobretudo a este seu quinto romance, publicado em 1987. E o lugar de Beloved na galeria dos grandes romances americanos releva da sua ressonância bíblica, que lhe confere o carácter mítico, e do poder evocativo da tradição oral, que lhe garante a força telúrica e o enraizamento popular. É a história da libertação de um povo e do sangue derramado nesse caminho. É sobretudo a história de uma mulher e do seu êxodo particular rumo à Terra Prometida que cada ser humano livre traz no seu coração.
29
Ago09

Animais

Bruno Vieira Amaral

“Tout au début de la Genèse , il est écrit que Dieu a créé l’homme pour qu’il règne sur les oiseaux, les poissons et le bétail. Bien entendu, la Genèse a été composée par un homme et pas par un cheval”. Talvez Saramago não concorde com esta última frase de Milan Kundera. É esperar para ler o novo romance do nosso Nobel. A frase é retirada de um dos últimos capítulos de “A Insustentável Leveza do Ser” (perdoem-me a paneleirice do francês mas só tenho a edição baratinha da Folio, à qual restará pouco tempo, tal a decrepitude das folhas). Kundera defende que a bondade do homem só se pode manifestar em toda a pureza e liberdade quando é dirigida aos que não o podem ameaçar, aos que lhe são “hierarquicamente” inferiores. Refere-se aos animais. De acordo com esta ideia, a verdadeira crueldade também só se poderia manifestar quando exercida contra animais, contra aqueles que, por decreto divino e humana soberba, estão à nossa mercê. O homem é deus e senhor dos animais. Vive a sua superioridade quando dispõe do destino de uma mosca, de um cão, de uma galinha. Em “Aparição”, Carolino, esse Raskolnikov alentejano, sente uma vertigem de super-homem nietzscheano quando mata uma galinha à pedrada. “O homem é que é Deus porque pode matar”, conclui com lógica imbatível. No livro “O marinheiro que perdeu as graças do mar”, Yukio Mishima descreve a morte de um gato às mãos de um grupo de adolescentes. “Fui eu que o matei. Posso fazer tudo, por mais terrível que seja”. Nestes dois exemplos, a morte do animal é um exercício cruel de superioridade, o treino para o homicídio, o líquido viscoso que serve para encher “as cavernas do tédio”. Kundera reforça esta comparação. Na Checoslováquia, antes de passarem ao alvo humano, os russos organizavam campanhas de extermínio de cães, porque sujavam os passeios, porque eram um risco para a saúde infantil. “Il fallait d’abord l’entraîner contre une cible provisoire. Cette cible, ce furent les animaux”. Quando somos crianças, a crueldade contra os animais é um meio comum de testarmos os limites da nossa humanidade, e quem nunca arrancou as asas a uma mosca que atire a primeira pedra a um pombo. Embora moralmente distintos, são gestos tão humanos quanto os de uma criança que afaga um cão moribundo. As lágrimas que Tereza derrama por Karenina (“Bon Dieu, vous n’allez tout de même pas pleurer pour un chien!”) e o olhar triunfante de Carolino após matar a galinha são os extremos – de bondade e crueldade puras - da nossa humanidade condenada.

28
Ago09

Isto é Veríssimo

Bruno Vieira Amaral

 

 

 

“As acusações de nepotismo são tão fáceis de responder que até meu secretário de imprensa, o Gedeão, casado com a mana Das Mercês, e que é um bobalhão, poderia se encarregar disto. Mas eu mesmo o farei. Não, não vou recorrer a subterfúgios e alegar que o nepotismo é antigo como o mundo, existe desde os tempos bíblicos e está mesmo nas origens do cristianismo. Quando Deus Todo Poderoso, que era Deus Todo Poderoso, quis mandar um salvador para a Terra, quem foi que escolheu? Um filho!”

19
Ago09

Começa assim

Bruno Vieira Amaral

Os prédios eram altos, não todos, só as torres, sete andares, recentes mas gastos, como se a vontade de experimentar uma casa os tivesse corroído, a roupa a drapejar nos estendais, como se em cada casa vivessem dezenas de pessoas, os fogareiros a arder nas manhãs de domingo, os elevadores parados, gente a trepar pelas escadas, gente a expirar o cansaço até ao cimo, até às quatro assoalhadas cheias de mobílias velhas, resgatadas de barracas, fogões de dois bicos, candeeiros a petróleo, caixas de velas para iluminar a vida sem electricidade, homens a exibir a preguiça, homens pré-históricos, de fartos bigodes, crianças ranhosas e mulheres despenteadas a lavar a dura desgraça dos dias nos tanques de pedra nas varandas, sob o sol iníquo das vidas que não se mexem, nem para cima, nem para baixo, imóveis como os elevadores, um luxo morto, os mais ágeis tinham erguido barracas para servirem de garagens, os empreendedores, gente que tinha ido para ali com sonhos de abundância, sem saberem que tinham saído de um buraco mais fundo para outro mais à superfície, um buraco na mesma, onde a vontade de fazer, de ter mais, de não se resignar era ainda mais ridícula como um afogado à beira da praia que não sabe que as ondas nunca o deixarão chegar a terra, faziam e não paravam, em permanente acção, um burguesia esquisita, ignorante de que tudo aquilo, as barracas, as hortas, as obras no interior das casas, eram esforços inúteis para enganar a pobreza, que os assaltava a meio da noite, com os gritos, as festas até às tantas, a merda dos cães nas escadas, ainda não sabiam mas tinham caído naquele buraco para sempre, até ao fim das vidas, não podiam adivinhar que trinta anos mais tarde andariam naqueles passeios, mais civilizados, a passear os netos, os filhos que os viriam visitar em domingos envergonhados, orgulhosos de terem saído do buraco onde os pais tinham caído e fuçado, a ascensão social naqueles olhares de desdém e a piedade natural de quem sobe para os outros que ficaram, mesmo que sejam os pais, é a lei da vida, e não estão assim tão mal, os filhos nunca conseguem compreender as ambições dos pais, olham para trás e vêem-nos ali, imóveis e eternos, no lugar que é o deles, nem mais, nem menos, sem suspeitarem que trinta anos antes os pais chegaram ali, ao buraco, com a esperança de ser uma passagem, um interlúdio de sacrifício numa narrativa épica de ascensão, e tinham demorado uma vida inteira para perceber que aquela era a última estação e os filhos nunca perceberam que tinham subido fincando os pés nos lombos sofridos dos pais e estes com a única réstia de orgulho de disponibilizarem os lombos doridos aos filhos, exibindo os filhos nos cafés, com as mulheres e os maridos que não eram dali, os netos saudáveis e letrados, a crescer em infantários e casas com aquecimento central, a ignorar os avós e aquela pobreza toda de um bairro que haveria de ser sempre um bairro, onde as pessoas todas se conheciam e cumprimentavam como se fossem todos da mesma família, cumprimenta ali aquela senhora que é amiga da avó, os filhos, saudáveis, letrados e bons dentes, eles ali uma vida inteira encavernados mas ali estavam os filhos, saudáveis, letrados e bronzeados, prova de que tinham chegado à superfície, tinham estudado com os filhos dos doutores e agora tinham bons carros, bons dentes e tinham-lhes dado bons netos, que orgulho, a vida de formiga para chegar a ver aqueles netos, o cheiro nauseabundo do bairro, dos cafés de chão cheio de escarros, tudo tinha valido a pena, mesmo demolidas as garagens, mesmo terraplanadas as hortas, tudo valera a pena para chegar a ver aqueles netos que odiavam o cheiro nauseabundo do bairro dos avós, a mesma merda dos mesmos cães nas escadas, meu rico filho, e os filhos e os netos a fugir dali, do buraco, quase asfixiados, desejosos de regressar à superfície das suas vidas de casa própria e centro comercial. Naquela altura, há trinta anos, teriam desprezado quem lhes tivesse dito que trinta anos mais tarde ainda estariam ali a celebrar filhos e netos que os desprezavam ou, os melhores, os toleravam, incrédulos perante a resignação dos pais, desdenhosos dos sacrifícios, ignorando que o pescoço à superfície dependia dos lombos doridos dos pais. Há trinta anos era assim, os que acreditavam que era tudo uma questão de tempo até a vida melhorar e os outros para quem a vida já tinha melhorado tudo o que tinha a melhorar e muito bom seria se não piorasse, eram os que escarravam o chão dos cafés e cujos cães cagavam as escadas dos prédio, a ralé de uma comunidade que era toda ralé, mas que arranjou uma aristocracia, uma burguesia, um povo, porque se a natureza tem horror ao vazio, os seres humanos não vivem sem uma hierarquia, uma escada imaginária que possa ser escalada, desde os degraus cheios de merda de cães às alturas beatíficas, e enquanto uns montavam negócios, padarias e frutarias, oficinas e sapatarias, boutiques e retrosarias, cafés de chão escarrado e mercearias, vende-se fiado, outros ficavam a ver o mundo a avançar, enterrados de merda de cão e dívidas, sem hortas, nem garagens, pobres cada vez mais pobres a ver pobres como eles cada vez mais finos, sem entenderem porquê, a encherem essa ignorância de resentimento e inveja, porque afinal tinham todos chegado ali iguais na miséria e, de um momento para o outro, uns tinham deixado a miséria para trás enquanto outros se afundavam nela, todos iguais mas uns mais iguais do que outros, casas de borla para todos, casas sem portas nem janelas para todos, prédios com elevadores que não se mexiam para todos, casas com tanques para todos e bastaram dois três anos para uns terem portas e janelas de alumínio e outros arremedos de portas e janelas feitos de contraplacado e plástico, prédios com elevadores que começaram a andar para cima e para baixo e prédios em que os elevadores nem para cima nem para baixo, casas em que as máquinas de lavar vieram atirar os tanques de pedra para a colecção de artefactos pré-históricos e casas em que a máquina de lavar foi durante anos e anos um delírio futurista enquanto o tanque se enchia e vazava e enchia e vazava e uma mulher despenteada se esfalfava à torreira do sol a esfregar fraldas de pano cheias de merda e calças do trabalho cheias de óleo e a vida presa nessa nora, às voltas e voltas, nesse mastigar estúpido dos dias, nesse amassar da roupa e dos braços, do corpo inteiro até o sangue saltar do nariz num esguicho, nunca acaba, daqui ninguém sai vivo e olhar para trás sem nostalgia porque agora ao menos as paredes são de cimento e a merda dos cães é mais fácil de lavar das escadas do que da terra em frente das barracas, e enquanto uns tinham chegado ao paraíso e outros esperavam que aquilo fosse o purgatório, havia os outros, os retornados que finalmente conheciam o inferno, rodeados de brancos ressentidos, que temiam essa raça sem terra, os retornados que retornavam a uma terra desconhecida, refugiados que se refugiavam numa terra que os não queria, expulsos de um éden africano pela política dos brancos e pelo ódio dos pretos, mulatos, mulas, híbridos caídos em terra de ninguém muito menos deles.

17
Ago09

!!!

Bruno Vieira Amaral

Não tenho nada contra o ponto de exclamação. Nem a favor. Se algum passar por mim na rua, cumprimento-o. Se me pedir um cigarro, não dou. Mas sou assim com toda a gente e não abro excepções a sinais de pontuação. O movimento contra o ponto de exclamação, iniciado aqui, confundiu-me. Um movimento que se propõe acabar com alguma coisa parece-me de natureza imperativa. Não se sugere o uso moderado do ponto de exclamação, mas o seu extermínio, porque fere a sensibilidade, porque grita, porque é próprio de pessoas sem maneiras, porque é histérico. Grita-se, baixinho, contra o ponto de exclamação: eis o paradoxo! E com tantos caracteres dispensados à excomunhão pública do ponto de exclamação, creio que há por ali qualquer coisa mal resolvida. É o mesmo que estar sempre a falar mal da ex-mulher. Eu desconfio destes ódios. São barquinhos frágeis que seguem obsessivamente na mesma direcção, desfraldam a bandeira do ressentimento mas o que os mantém à superfície é a qualidade do casco e esse é feito de amor. Um amor não correspondido. Todos nós que já quisemos mandar alguém à merda sabemos como dói precisar de um ponto de exclamação e, na sua vez, aparecerem umas reticências nervosas, engasgadas, pusilânimes. Engolimos as reticências, que parecem comprimidinhos, e ficamos com o ponto de exclamação atravessado na garganta. Se esta, ou outra que se lhe assemelhe, é a razão do despeito, sugiro que façam as pazes com o ponto de exclamação. Ofereçam-lhe um ramo de pontos de interrogação, uma caixinha de vírgulas. Se ele não aceitar, e não são poucas as razões para estar magoado convosco, mandem-no à merda e, com um pontapé bem assestado, ponham-no à frente.

16
Ago09

Balas de Prata

Bruno Vieira Amaral

 

Publicado no i

 

 

Narcotráfico, violência urbana e corrupção: a realidade mexicana oferece a dose certa de ingredientes para um bom romance policial. Talvez lhe falte um Rubem Fonseca. Embora menos visceral do que o escritor brasileiro, Élmer Mendoza (n. 1949) consegue, com mestria, trazer aqueles elementos para a literatura. Edgar, o Canhoto, Mendieta, o anti-herói do romance, é um polícia que detesta policiais. É compreensível. Enquanto que nos maus romances do género há sempre um crime que liberta o caos e um detective que, ao descobrir a verdade, repõe a ordem, em Balas de Prata o detective é uma peça do caos. Mendieta não tem ilusões. “Não acredito que me tenha feito polícia para proteger os fracos e fazer justiça; queria ganhar dinheiro e sair daqui o mais rápido possivel. Contudo ficaste. Uma pessoa acostuma-se a tudo” (pp. 12-13). A vida desarrumada de Mendieta é moldada pela inércia. Uma desarrumação na qual se pode encontrar um sentido heróico a posteriori. A incorruptibilidade de Mendieta não é de natureza ética. É meramente circunstancial. Tornou-se inimigo de quem poderia enriquecê-lo e abandonou a Brigada de Narcóticos, abdicando dessa forma “da riqueza fácil e expedita” (p. 70). Quando recusa um suborno, Mendieta não o faz em nome da virtude, mas em nome do desprendimento que o leva a dizer que “não há nada que deseje tanto como ver esta vida acabada” (p. 129). Existirá virtude na imobilidade? Élmer Mendoza escolheu para epígrafe uma frase de Einstein: “Não é por causa dos homens que fazem o mal, mas dos que ficam sentados a ver o que acontece que a vida é perigosa”. Edgar Mendieta combina a inércia dos desiludidos (“Os culpados é que me descobrem a mim” p. 99) com a atitude provocadora do homem que nada tem a perder, que o escritor James Baldwin definia como “a criação mais perigosa de qualquer sociedade”. Por causa do abuso de que foi vítima na infância e das feridas recentes de um amor falhado, a coragem de Mendieta está despida de qualquer idealismo. O seu anti-heroísmo é feito de obstinação trágica. Aos poderes que o tentam “arrumar”, pôr na ordem, responde com a recusa em desimpedir o caminho. Estar parado pode ser um acto de resistência. Por esse motivo, Mendieta é um perigo para esses poderes que afronta, o narcotráfico e a corrupção instalada, e um perigo ainda maior para ele próprio.
 
O policial pede a frase curta, ir direito ao assunto. Na escrita de Élmer Mendoza, os cortes sucessivos, como na montagem televisiva, e a referência telegráfica aos espaços e aos ambientes (Sala de Espera. Clarabóia. Silêncio. Penumbra) não servem apenas uma economia descritiva; plasmam o ritmo acelerado da cidade e intensificam os perigos da investigação. Embora dentro das regras e (alguns) clichés do género (crime, investigação, desfecho, sexo, violência, mulheres fatais), Balas de Prata não se reduz a um policial de intriga escorreita e final tranquilizador. A descoberta da verdade e a punição, à margem da lei, do culpado não têm um efeito terapêutico. Resolve-se o caso mas não o caos. Porque a ordem é o grande engano do poder, mas isso é outra história.

 

14
Ago09

Realismo Social

Bruno Vieira Amaral

“Tentei – comecei um romance chamado Tempestade sobre Castleford -, mas o herói estava sempre a jogar bilhar e a heroína ficava sentada à beira da cama, sozinha à noite, sem fazer nada. Foi talvez o mais próximo do realismo social que consegui estar.”

 

Senhora Oráculo, Margaret Atwood, trad. Maria Antónia Vasconcelos

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