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Circo da Lama

"Se ele for para a Suiça, não lhe guardo as vacas", David Queiroz, pai de António, vencedor da Casa dos Segredos

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Circo da Lama

04
Jan09

Padres motards e outros bichos

Bruno Vieira Amaral

 

Domingo. Dia do Senhor. É aquele dia em que os jornais falam de religião / folclore. O padre motard. O padre que veste calças de ganga. A freira que vai ao bingo. O sacristão que diz palavrões. O padre que foi a um spa. Esta reportagem (a do spa) saiu há duas semanas no Expresso e é o retrato-robô do tratamento jornalístico dispensado ao, vamos lá, clero. É a tentativa de humanizar a imagem do padre, modernizando-o. O padre continua a ser a ave negra do obscurantismo e nada como exorcizá-lo com outros latins- sanum per aqua – para o trazer para o século XXI. Ainda nenhum jornalista levou um padre a um bar de alterne mas fica a sugestão.
 
Depois temos a questão da tecnologia. Falar de religião e tecnologia é um prazer demasiado básico para que alguém lhe possa resistir. É a tentação do oxímoro. Há um certo prazer apóstata semelhante ao de pedir a um amish para trocar uma lâmpada. “Então o padre tem uma página no hi5? Vamos lá ver essa beleza.” Alguns padres estão mesmos convencidos que o meio é a mensagem. Na edição de hoje do Público (pp. 10-11), apresenta-se o padre Júlio Grangeia que outorgou a si próprio a glória duvidosa de ser “o primeiro padre português na Internet.” Outro, em Leiria, recorreu ao karaoke para animar a liturgia mas a estratégia não resultou numa debandada dos bares para a igreja. E, à excepção do alvoroço causado por Bento XVI sempre que repete coisas que a Igreja defende há uns bons séculos, é isto que vamos tendo de religião: a igreja com ar condicionado e dolby surround, o padre que faz 50 flexões e os fiéis que vão ficando em casa.

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