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Circo da Lama

"Se ele for para a Suiça, não lhe guardo as vacas", David Queiroz, pai de António, vencedor da Casa dos Segredos

"Se ele for para a Suiça, não lhe guardo as vacas", David Queiroz, pai de António, vencedor da Casa dos Segredos

Circo da Lama

14
Jan10

Portugueses Ilustres

Bruno Vieira Amaral

O primeiro Mendonça do Amaral que a historiografia regista ficou para a posteridade como barão, mas teve os mais modestos começos como ladrão de galinhas e de toda a sorte de legumes. O primeiro documento a referir Mendonça do Amaral omite a forma como terá enriquecido, mas inscrições em lápides, entre outra documentação menos fiável, apontam no sentido de extorsões diversas e um outro rapto sem consequências gravosas para as vítimas. A respeitabilidade de Mendonça do Amaral cresceu ao ritmo da fortuna. Os amigos dos primeiros tempos afastaram-se, certamente por falta de calçado adequado, e os inimigos, se alguma vez os houve, ou ascenderam a amigos ou tornaram ao pó, tal como as Sagradas Escrituras nos garantem que sucederá a todo e qualquer homem, por muita influência que este tenha no Ministério das Obras Públicas. Da casa, e respectivas adjacências, incluindo um barracão onde era guardada a lenha, de Mendonça do Amaral, brotou uma casta inigualável de ilustres varões, todos eles guerreiros ferozes que, por acasos da História que lhes não podem ser atribuídos, jamais tiveram o ensejo de alardear a inequívoca coragem no campo de batalha. Ao longo de três gerações, os Mendonça do Amaral destacaram-se por cultivar uma enérgica inimizade com os livros, facto mais do que comprovado pela vastíssima biblioteca de que eram proprietários. Até que nasceu Artur Mendonça do Amaral e aquele venerável nome, cuja glória inicial se alicerçou em pilhagens e delações, roubos e chantagens, foi destruído a golpes de putas nada sérias e de croupiers ominosos. O génio de Artur, asseveram todos os que com ele travaram conhecimento, era essencialmente verbal. Um talento cruelmente cerceado pelos infortúnios de uma gaguez contraída na primeira infância e do analfabetismo hereditário. Se assim não fosse, talvez hoje o querido esqueleto de Artur repousasse sob a egrégia sombra dos Jerónimos em vez de jazer esquecido no cemitério de T., arredores de Coruche, ladeado, como Cristo, por dois populares gatunos, ambos assassinados pela fúria de um caseiro à renda do qual procuraram subtrair galinhas e legumes.

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