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Circo da Lama

"Se ele for para a Suiça, não lhe guardo as vacas", David Queiroz, pai de António, vencedor da Casa dos Segredos

"Se ele for para a Suiça, não lhe guardo as vacas", David Queiroz, pai de António, vencedor da Casa dos Segredos

Circo da Lama

05
Dez10

Ler - Dezembro

Bruno Vieira Amaral

Sobre Kawabata, Kobayashi e Endo:

 

São três romances artisticamente heterogéneos. O Navio dos Homens é pouco mais do que um artefacto arqueológico das boas intenções do realismo socialista. Silêncio é um romance que, partindo de um ponto de vista católico, aprofunda questões como a fé e o papel central do sofrimento no cristianismo, cuja ressonância ultrapassa os muros paroquiais, daí a justa comparação com Graham Greene. A Beleza e a Tristeza centra-se em relações íntimas, exploradas com uma delicadeza aguda, em que o conflito entre tradição e modernidade contribui para caracterizar as personagens, embora esteja longe de ser o tema central. Geneticamente japoneses (com gueixas, saquê, samurais e teatro kabuki), têm, no entanto, um apelo universal, tratam de questões humanas que extravasam limites alfandegários - amor, traição e vingança, fé e justiça, dúvida e revolta - e ao fazê-lo dão ao leitor a possibilidade de ver a experiência japonesa sob um ângulo mais aberto que destrói concepções apriorísticas baseadas em impressões superficiais.

 

Sobre A Literatura Nazi nas Américas, de Roberto Bolaño:

 

Ao Livro dos Seres Imaginários, de Jorge Luis Borges, falta esse magnífico animal chileno, o Roberto Bolaño (1953-2003). Escritor compulsivo, o Bolaño é um híbrido de cabeça borgesiana e de corpo realista, visceral, não raras vezes escatológico. É omnívoro, embora a sua dieta não inclua o realismo mágico, cuja simples visão lhe provoca reacções nervosas extremas. Acusado de ser um writer’s writer (animal meta-literário e erudito, contem-se as personagens dos seus livros que são escritores ou literatos), tempera essa tendência com um excesso de realismo que, por sua vez, descamba num ambiente ainda mais onírico e irreal (ver A Parte dos Crimes, em 2666). O Bolaño pega na herança de Borges e leva-a para campos de batalha e desertos cheios de cadáveres. Tão depressa cita William Beckford como logo a seguir nos serve descrições sangrentas de torturas; salta de Melville para um grafismo sexual que pede meças aos especialistas do género; inventa escritores centro-europeus e sádicos latino-americanos; domina as bibliotecas sagradas e as ruas sórdidas; da árvore da ciência só comeu metade do fruto: o que lhe deu o conhecimento do mal.

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