"Matei o meu tio mas já tenho saudades dele", homicida de Albergaria
20.1.09

Há uns tempos, dei por mim numa sessão de coaching. Já assisti a missas, cultos evangélicos, aulas de astrologia e até a uma conferência da Irmandade Rosa-Cruz. Garanto-vos que nada bate o coaching. O senhor, um brasileiro eloquente e de muito bom aspecto, falou durante 45 minutos. Ainda não ia a meio, já o espírito de José Mourinho descera sobre metade da sala. Temi pela minha segurança. Ao meu lado, um pacato contabilista estava em transe. Repetia as frases, batia palmas ferozes e, procurando arrastar-me para o seu êxtase, dava-me pancadinhas no ombro. Tinha um olhar de possuído. Eu rezava para que ele tivesse o bom senso de ser possuído por Gandhi ou São Francisco de Assis. Quando o espectáculo terminou as pessoas tinham sido arrasadas por um tsunami de auto-confiança. Vi uma senhora a tentar abrir uma porta recorrendo unicamente à sua auto-estima. "Se nos permite subir na vida, também nos permitirá abrir uma porta", pensei. Não resultou. Eu, sempre desconfiado das minhas capacidades, abri a porta com o habitual desprezo por mim próprio.

link do postPor Bruno Vieira Amaral, às 14:42  comentar

 
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