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Circo da Lama

"Se ele for para a Suiça, não lhe guardo as vacas", David Queiroz, pai de António, vencedor da Casa dos Segredos

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Circo da Lama

28
Fev09

Unhappy endings

Bruno Vieira Amaral

 

O cinema dos anos 70 está cheio de finais infelizes. O final feliz era uma convenção da velha Hollywood. O final infeliz era um sinónimo de arte, marca de autor. Ninguém queria fazer “movies”. Queriam fazer “films”. Para o público seria mais fácil detectar significados e profundidades em finais niilistas e sem esperança. Está tudo na frase inicial de Anna Karenina. Hoje percebemos que não é um final infeliz que faz um bom filme, mas pressentimos que muitos dos filmes dos anos 70 não poderiam ser feitos nos nossos dias. Ninguém vai tão longe. Chinatown, por exemplo. Nos extra do dvd, Roman Polanski, Robert Towne e Robert Evans (realizador, argumentista e produtor) falam sobre o assunto. Seria possível fazer hoje um filme como Chinatown? Violência, incesto e um final infeliz? Não estamos a falar de um filme feito nas margens do sistema. Jack Nicholson era uma estrela em ascensão, Faye Dunaway já era suficientemente conhecida para que o papel de Evelyn Mulwray fosse um risco e John Huston era John Huston. Nos EUA, Polanski dirigira A Semente do Diabo, filme que contou também com a colaboração de Robert Evans. Os estúdios tinham perdido o pulso ao público e, sem o saberem, permitiram aos autores uma liberdade que hoje nos parece mítica. O excesso de liberdade levou a estrondosos falhanços (The Sorcerer, de Friedkin, até aos mega-desastres One from the Heart, de Coppola, e Heaven’s Gate, de Cimino) e ao regresso da “ditadura” dos estúdios e das “previews”. Os estúdios cansaram-se de perder dinheiro com génios e pseudo-génios e voltaram a recrutar tarefeiros anónimos que tinham a virtude de cumprir prazos. O risco voltou para as margens e, com ele, os finais infelizes.

 

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