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Circo da Lama

"Se ele for para a Suiça, não lhe guardo as vacas", David Queiroz, pai de António, vencedor da Casa dos Segredos

"Se ele for para a Suiça, não lhe guardo as vacas", David Queiroz, pai de António, vencedor da Casa dos Segredos

Circo da Lama

23
Dez09

Famílias

Bruno Vieira Amaral

 

 

Sábado, sessão dupla para esquecer as agruras da vida e dos multiplex: O Padrinho e Feios, Porcos e Maus. Estamos no Natal, é a época da família. Época das famílias. Michael Corleone é a melhor personagem da história do cinema. Chega atrasado e americanizado ao casamento da irmã, uniforme e namorada americanos. Está nas margens da família. Depois, o pai é vítima de um atentado. Depois, Michael é esmurrado por um polícia corrupto. Depois, ele percebe que não pode fugir às suas responsabilidades porque, entre famílias, a América é um conceito abstracto e longínquo. A Sicília fica mais perto. Lá se vai o sonho americano por água abaixo. E então chega o momento da transformação, em que Michael deixa de ser Michael e passa a ser um Corleone. “Fredo, you're my older brother, and I love you. But don't ever take sides with anyone against the Family again. Ever.” A personagem que diz isto está a milhas de distância da personagem que vimos no início. Família. Vito Corleone morre a brincar com o neto, Sonny Corleone é morto numa emboscada quando vai ter com a irmã. Família. A de Giacinto Mazzatella que vive em alegre promiscuidade numa barraca romana. Todos ao monte e fé na caçadeira. A família não é de fiar. Todos querem o dinheiro que Giacinto guarda como a própria vida. Eles querem plata, Giacinto dá-lhes plomo. A mulher é compreensiva, basta bater-lhe. E como a família não encontra o dinheiro, une-se para uma última ceia em que todos são Judas. Quem resiste a 30 moedas de prata? Giacinto come a massa envenenada mas sobrevive. E destrói a casa com o fogo da sua fúria. Família rica. Família pobre. Nada tradicionais.
23
Dez09

Feliz Natal

Bruno Vieira Amaral

Eu gostei dos The Gift. Era jovem, acreditava no Nuno Galopim e havia a Sónia Tavares. E aquilo era pessoal de Alcobaça e eu tenho uma grande simpatia pela região Oeste, uma área razoavelmente obscura, propícia a produtores de fruta e artistas com o glamour de funcionários públicos. Também não era difícil apreciar a capacidade de iniciativa do quarteto. Consta que manufacturavam os cds e se calhar havia um primo que lhes imprimia os bilhetes e o “merchandáize” numa reprografia dos Pousos. Esta peculiar combinação de amadorismo e talento musical (na verdade, era uma apropriação pueril de Portishead e Divine Comedy, como se uma Beth Gibbons fosse largada na A8 e tivesse o azar de ser atropelada por uma carrinha conduzida por um Neil Hannon) foi celebrada como um exemplo nacional do “do it yourself”, ou seja, Guerra das Estrelas filmado na Marinha Grande com vassouras em vez de sabres de luz. O entusiasmo provocou delírios. Falou-se em internacionalização – o mais duradouro mito urbano da música portuguesa e que teve o seu auge com aquele disco em que o Miguel Ângelo cantava em castelhano. Todos sabemos o que isso quer dizer: primeiras partes em Huelva e inúmeras referências no Ípsilon ao interesse demonstrado por editoras internacionais (“Imprensa inglesa rendida ao charme de …”; “franceses não resistem a …”; “agricultores do Connecticut só ouvem The Legendary Tiger Man”). Esgotado o filão internacional, a banda de Alcobaça regressou à base e às raízes. Amália. Objectivo: dar a conhecer Amália às novas gerações, o equivalente a popularizar o fado com a música do Pingo Doce. Dar a conhecer Amália desta forma, sem a voz de Amália, com a voz de Sónia Tavares em perfeita agonia entre sintetizadores operáticos que só me lembram a XX Grande Gala Travesti, é uma ideia bizarra. A presença crowleyiana de Fernando Ribeiro é sinistra e, ao mesmo tempo, enche-nos de esperança. Pode ser que ele tenha sido convidado para decapitar os outros. Já não gosto dos The Gift. E o Natal já não é o que era.

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