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Circo da Lama

"Se ele for para a Suiça, não lhe guardo as vacas", David Queiroz, pai de António, vencedor da Casa dos Segredos

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Circo da Lama

24
Mai18

Rentes de Carvalho e a ética da raiva

Bruno Vieira Amaral

Texto lido na sessão de homenagem da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia ao escritor J. Rentes de Carvalho

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“Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. E encontrou no templo os vendedores de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas nos seus postos. Fazendo um chicote de cordas, expulsou-os a todos do templo assim como as ovelhas e os bois; espalhou as moedas dos cambistas pelo chão e derrubou-lhes as mesas; e aos que vendiam pombas, disse-lhes: «Tirai isso daqui. Não façais da casa do meu Pai uma casa de negócio.»” Haverá quem, do Jesus Cristo retratado pelos evangelistas, prefira o orador cativante do Sermão da Montanha, o semi-deus capaz de trazer os mortos de volta à vida ou de transformar a água em vinho ou o homem que enfrenta com serenidade sobre-humana os seus algozes e recomenda a Pedro que embainhe a espada pois aquele que tomar a espada, na espada morrerá. A mim, não me fascina menos o menino de doze anos a argumentar com os sábios no templo, o defensor de prostitutas e desvalidos e até o Jesus que, em criança, segundo um evangelho apócrifo, fazia pombas de barro que, ao bater das suas palmas, ganhavam vida e voavam. Porém, nenhum Jesus me parece tão real e tão humano como o da passagem que comecei por ler. Aquele Jesus, capaz de indignação e fúria, é um homem sujeito às paixões e aos humores humanos.

Aos que, aqui presentes, já se perguntam se estarão no lugar certo, se não terei trocado o panegírico pela homilia e que terá Nosso Senhor Jesus Cristo que ver com o cidadão que viemos aqui homenagear, recomendo a leitura da última crónica do livro Mazagran. Intitulada “Para Deus”, termina assim: “O meu medo é notar que com os anos me vou tornando razoável em excesso, quase doentiamente tolerante. É disso que quero que me guardeis, Senhor. Dai-me raivas. Mantende viva em mim a capacidade de me enfurecer. Deixai que continue a chamar às coisas pelo seu nome, a criticar sem medo, a rir de mim próprio, e livrai-me até ao último momento das aceitações que crescem com a idade.” Ao contrário da oração que Jesus ensinou aos homens e que os cristãos devotos têm repetido nos últimos dois mil anos, Rentes de Carvalho não pede a Deus o pão nosso de cada dia, o perdão das dívidas, nem que nos livrai do mal. Pede a Deus que lhe dê raivas. Pede a Deus que mantenha viva a capacidade de se enfurecer. Pressinto que o Jesus da preferência do escritor, se é que tem algum, seja o que fez um chicote de cordas e, furioso, expulsou os vendilhões do templo.

É verdade que desde que conheço Rentes de Carvalho, faz agora sete anos, nunca o vi virar do avesso nenhum templo, nem sequer uma biblioteca, templo dos homens de letras, embora já tenha sido testemunha de algumas fúrias logo devidamente aplacadas com uma posta mirandesa ou uns deliciosos camarões al ajillo saboreados na cervejaria Ribadouro, templo da sua breve juventude lisboeta. Indignações e perplexidades, testemunhei várias: com companheiros de ofício que não entende, pasmado perante leitores que o não entendem, envergonhado perante jornalistas que o não leram e perplexo perante mim que, graças aos caprichos da fortuna, o conduzi várias vezes entre Lisboa e Estevais, viagens onde, por mais de uma ocasião, terei dado mostras de inapelável ignorância. No final, são e salvo na aldeia dos seus antepassados, o bom humor recuperado, lá nos despedíamos com afecto, o que me recordava uma das máximas da sabedoria popular a que nunca deixei de dar crédito: mau feitio, bom carácter.

O mau feitio tê-lo-á herdado do pai, homem de repentes que, no fim do jantar, atirava punhadas e rosnava ameaças, e da avó intempestiva que, numa daquelas horas que dizem do diabo e são bem dos homens, pisou aos gritos o corpo da filha. Porém, talvez o mau génio possa também ser um dom cuja renovação se pede a Deus em crónica literária. “Torna-me sábio”, pedia o salmista. “Dai-me raivas”, pede o escritor. A raiva que pede é de natureza diferente da cólera que nasce da frustração ou da fúria que emerge, sem hora e sem sentido, das mais negras profundezas da alma. A raiva que pede é o cordão tenso e vital que o liga ao mundo, que o mantém vivo. O contrário de estar vivo não é estar morto. É viver sem raivas.

Raiva foi o combustível do livro que o celebrizou na Holanda, o país que o acolheu. Com os Holandeses não é uma agradável crónica de costumes, o elogio de um povo perfeito e de uma sociedade idílica, o agradecimento curvado de um imigrante escrito com a humildade cabisbaixa de que sofre o português, sobretudo quando fora do rectângulo do seu conforto e da sua miséria. O país ali desenhado é a antítese da aguarela pastoril pintada por Ramalho Ortigão, que não quis ver além da superfície de moinhos e tulipas. Rentes de Carvalho atreveu-se a olhar para os holandeses como seus iguais para, assim, de cabeça levantada e olhos nos olhos, escandalizar com a lista de defeitos - desde os hábitos inofensivos à avareza, a um certo desinteresse pelos prazeres e, ao contrário da mentalidade que “tanto gosta de apregoar igualdades e fraternidades”, à indiferença pela sorte dos outros – sem deixar de apontar as virtudes. O que a uns terá parecido arrogância, injustificada para mais num imigrante vindo de um país pobre do Sul, naquela altura amordaçado por uma ditadura de décadas, era apenas a rejeição da humildade doentia, da subserviência atávica e dos complexos de inferioridade incapacitantes que nunca foram nem poderão ser os materiais com que se constrói uma relação digna entre seres humanos.

Se o livro tem na raiva o combustível, nunca se transforma numa peça de ódio, num acto de ressentimento. Como escreveu o autor, “não é queixume ou libelo acusatório, antes uma tentativa de compreensão.” O Outro – essa ficção mansa que serve para apaziguar tantas consciências – é aqui, como em toda a obra de Rentes de Carvalho, alguém com quem se convive e contra quem se combate. Rentes de Carvalho não lhe vira a cara, mas também não lhe oferece a condescendência das “aceitações que crescem com a idade.” Investe contra ele, ataca-o e, dessa forma, honra-o porque se honra mais o outro no confronto aberto do que na indulgência que, furtivamente, insulta, amesquinha, ridiculariza.

A lenga-lenga benemérita do Outro tornou-se um depósito de boas intenções da literatura: escritores que escrevem para alcançar o outro e para que os leitores aceitem o outro acabam por criar um caldo pastoso e morno de tolerância que se compraz numa abstracção do outro, sempre fascinante, enquanto se esforça por não ver o outro concreto, tantas vezes repulsivo. Esse outro é uma criação aberrante, todo feito de qualidades artificiais, sem defeitos e sem vida. Para Rentes de Carvalho, a tolerância implícita na criação dessa ficção de alteridade é uma forma de indiferença, uma expressão de superioridade cultural transformada em virtude. A célebre tolerância holandesa é, na verdade, um sentimento misto de superioridade e de indiferença, de uma superioridade que se funda precisamente na indiferença. Quando pede que Deus lhe dê raivas, o que Rentes de Carvalho pede é não ser contaminado pela tolerância que reduz o outro a uma ficção da nossa imaginação, a um títere na nossa farsa humanitária. A raiva suplicada não é cegueira, é, ao invés, o discernimento de se escrever, como diz o autor, ao nível da pele, do sensível. A raiva é essa capacidade de sentir um incómodo físico pela injustiça, pela hipocrisia, pela condescendência alheia. Não é a raiva do impropério cobarde ou a raiva inócua de que falava Miguel Torga quando se referia aos portugueses como uma “comunidade pacífica de revoltados.” Pressente-se na escrita de Rentes de Carvalho que ele sabe que o primeiro passo para nos reconciliarmos com o mundo e com os outros é declarar-lhes guerra.

A prova de que esta raiva não é apenas uma variante literária da popular resmunguice, de que é séria e produtiva, de que se inscreve sobre um fundo ético, é a possibilidade de a virarmos contra nós e os nossos. E a raiva de Rentes de Carvalho nunca é tão justa, tão acutilante, tão necessária, como quando a vira contra os seus. Diga-se em louvor do homenageado que nos seus livros não tem feito outra coisa, quer nas obras de ficção, quer nos diários, crónicas e reportagens, como Portugal, a Flor e a Foice. Nesse livro escrito no pico da febre revolucionária, na época em que todos ostentavam cravos e se declaravam, no mínimo, socialistas, em que os defensores do Antigo Regime desapareceram como que por magia e até os jovens monárquicos se afirmavam revolucionários, já Rentes de Carvalho expunha as falhas da nossa democracia que hoje todos reconhecemos. Mas hoje é fácil. Naquela época, havia um preço pessoal a pagar por quem se atrevia a desafiar com a voz do pessimismo os trinados optimistas dos amanhãs que cantam, para quem ousava destoar do coro esmagador, unânime e burro das grândolas. Apesar disso, honra lhe seja feita, Rentes de Carvalho nunca recuou.

Há uns meses, um leitor muito preocupado com as declarações polémicas de Rentes de Carvalho sobre as eleições holandesas e sabendo que eu o defendera, perguntou-me, já em desespero de causa, se eu não achava que teria sido melhor ele não dizer nada para, ao menos, não perder leitores. Pobre homem, não saberá ele que, quando alguns se prostram e rebolam para os conquistar, perder leitores é coroa de glória? Durante décadas, Rentes de Carvalho viveu como um desconhecido para os seus compatriotas. Quando, nos últimos anos e para benefício de todos nós, isso mudou, nunca se viu nele o revanchismo daqueles a quem bálsamo do reconhecimento tardio não alivia as chagas dos agravos pretéritos, embora certamente não lhe tenha escapado, porque poucas são as coisas importantes que lhe escapam, a ironia de ver uma obra como O Rebate, tão castigada aquando da primeira publicação, ser considerada agora uma obra-prima. Mas a gratidão não pode ser uma mordaça perfumada. O apreço dos leitores não pode ser o punhal traiçoeiro que docemente se crava nas suas costas. Se deve servir para alguma coisa é para reforçar a liberdade do escritor e não para o agrilhoar.

“Não devo nada aos leitores”, declarou, e esse nada sabemos bem o que significa. O escritor não deve obediência aos seus leitores e, graças aos deuses e à segurança social holandesa, Rentes de Carvalho não depende da bondade alheia nem da generosidade dos leitores para viver os seus últimos anos em total liberdade de espírito, com as raivas que Deus tenha a misericórdia de lhe conceder. Seria de uma trágica ironia que um homem que durante décadas viveu à margem dos seus contemporâneos visse agora a sua liberdade cerceada pelo apreço destes, pelas exigências dos que súbita e tardiamente, como é o meu caso, se tornaram devotos dos seus livros. Ao autor a liberdade de escrever o que quer, aos leitores a liberdade de lerem o que bem lhes aprouver e que Deus dê raivas a todos para que possam enfrentar o mundo.

O mundo. Escreve Rentes de Carvalho que Deus criou o mundo numa tarde quente de Maio de 1930, aqui bem perto de onde nos encontramos. Nesse mundo maravilhoso visto do Monte dos Judeus por uma criança de binóculo, o mundo do palácio do bispo e da sé, dos arvoredos do Palácio de Cristal e dos telhados dos armazéns de vinho, dos cargueiros gigantescos na barra e dos homens da estiva à cabeça, neste mundo colorido e confuso, terno e trágico Rentes de Carvalho provou pela primeira vez o sabor amargo da humilhação e aprendeu a lição, nem sempre colhida a tempo, de que o mundo é o lugar dos que nos amam, mas também daqueles que nos ferem, dos que nos aplaudem, mas também daqueles que nos humilham, e que muitas vezes são os mesmos. “A humilhação. Deve ser um dos grandes motores da História. Deve ser o que mais se lembra para a história de cada um. Os pais que se tiveram e os castigos que nos infligiram, as simples pugnas com os camaradas e em que se ficou por baixo.” Isto escreveu um escritor que pouco agrada ao nosso homenageado. Mas é verdade o que escreveu. A humilhação é um dos grandes motores da História, da história de cada um. Não era a humilhação de, estrangeiro e pobre, ouvir os insultos dos holandeses que o levava a chegar a casa à noite e sentar-se a descrevê-los, “anotando os gestos, as palavras, os nomes”? Terá percebido que o animava o mesmo espírito de antagonismo que dele se apoderou no momento da primeira humilhação?

Naquele tempo em que o mundo tinha nascido havia pouco, o pequeno José Avelino entretinha os camaradas com histórias mirabolantes, em que aos guiões dos filmes vistos no cinema acrescentava as voltas da sua imaginação, com viagens de submarino até terras de África, aventuras no Amazonas, episódios de gelar o sangue no castelo do Drácula. Até que um dia, após conluio infantil, os outros miúdos, com a maldade que, na infância, se desculpa com a inocência e que, por isso, nunca mais é tão pura, desfizeram a fantasia do grande contador de histórias e atiraram-lhe à cara a palavra mais dura, dividindo correcta e acintosamente as sílabas, como numa cantilena cruel: al-dra-bão. A humilhação sofrida, por ele, que já intuíra que contar histórias não é o mesmo que mentir, levou-o a declarar uma guerra ao mundo que, de certo modo, ainda hoje continua a travar. Assim, graças ao insulto dos seus involuntários criadores, nasceu um escritor. Se temos de agradecer ao avô José Maria o ter-lhe ensinado as primeiras letras, àqueles companheiros de infância, cujos nomes a história apagou, temos de lhes agradecer um carácter: o de um homem que, já entrado em anos, ainda pede a Deus que lhe dê as raivas para poder combater o mundo e, através da escrita, chegar ao lugar onde se ajustam as contas e se vingam as humilhações.

Vila Nova de Gaia, 18 de Maio de 2018

04
Mai18

A minha curiosa carreira de futebolista

Bruno Vieira Amaral

Crónica publicada na GQ - Julho/Agosto 2017

Agora que os jogadores de futebol que têm a minha idade são apenas a reserva moral dos seus clubes ou há muito se dedicaram ao futebol de praia e à restauração, resolvi fazer um balanço da minha carreira enquanto futebolista. Foi uma carreira modestíssima. Os palcos onde exibi o meu escasso talento foram recreios de escola, campos improvisados em baldios, o pedaço de relva em frente ao meu prédio, o Arregaça e qualquer um desses lugares dos subúrbios onde se pudesse fazer um rectângulo de jogo e inventar balizas com recurso a pedras, árvores ou postes.

Fui guarda-redes e, por brincadeira, chamavam-me Manuel Xadrez, numa homenagem ao príncipe das balizas que era Vítor Damas. Mais tarde, quando os confrontos entre Mozer e Fernando Couto eram o ponto alto dos clássicos, joguei a central, varrendo todo o meu raio de ação com entradas que, em relva, já seriam temerárias, mas que, no alcatrão, tinham algo de suicida. Até que, numa fase tardia desta minha carreira esquecida, me fixei como ponta-de-lança. Aí especializei-me na arte da estocada final, com frequência desvalorizada porque o avançado “só tem de encostar a bola para o fundo das redes.” Como se isso fosse fácil.

Antes de escapelizar glórias da minha vida enquanto artilheiro, devo reconhecer que, a ter tido algum futuro no futebol, é bem provável que o meu destino tivesse sido a baliza. Durante não mais de duas épocas, no final da década de 70, o meu pai tinha defendido com algum engenho a baliza dos juniores do Barreirense. Ainda hoje, quando encontro alguém desses tempos, é normal falarem-me dessas proezas menores como se eu próprio as tivesse testemunhado. O certo é que eu tinha jeito para a baliza, como comprovam as comemorações dos meus colegas do 8º ano numa tarde em que, graças às minhas defesas impossíveis, jogámos várias horas ao roda-bota-fora sem sairmos.

Mas há nos festejos à volta de um guarda-redes, como quando defende um penálti, por exemplo, ou faz uma defesa extraordinária no último minuto, algo que está mais próximo da agonia do que da alegria. Se há alegria, esta é uma alegria pesada e, diria, quase triste, cheia de feridas e contusões, que sobe à garganta em urros pré-históricos de resistentes cavernosos. A excelência de uma defesa é e será sempre a excelência de um obstáculo e a alegria que poderá proporcionar será sempre a alegria defeituosa de se ter evitado a alegria maior do adversário.

Isto para dizer que nenhuma defesa que fiz nestes jogos de muda aos 2 e acaba aos 4, se compara àquele golo duvidoso que, na minha memória, foi o primeiro que marquei na escola primária. Tinha aulas à tarde e, antes disso, ocupávamos o tempo a jogar à bola, quando alguém levava uma. Os postes eram paralelepípedos e o golo foi marcado à boca da baliza, bastou-me encostar. No entanto, parece que a bola passou muito perto da pedra e não houve consenso quanto à validade do golo. Já havia em nós algo destes aborrecidos comentadores de segunda-feira, que drenam do futebol toda a vitalidade com as suas discussões taciturnas sobre faltas e foras-de-jogo.

Mas da alegria pura, espontânea e universal daquele golo, nunca duvidei. Quando me redescobri como ponta-de-lança das manhãs de sábado no nosso Arregaça, divertia-me a estudar todas as declinações da felicidade do golo e a experimentar os diferentes graus do êxtase consoante o golo surgia depois de uma finta, na sequência de um cruzamento de um colega, após uma jogada de contra-ataque, numa bomba chutada de longe, num raro cabeceamento. Há uns meses, na Índia, em Cochim, fiquei a ver um grupo de miúdos da escola a jogarem num descampado enorme. Jogavam com uma bola de ténis e levantavam grandes nuvens de poeira vermelha quando a disputavam. Depois, do meio da confusão, emergiu o portador da bola, que correu imparável para a baliza e, logo a seguir, deu-se a explosão, aquele momento que Fernando Gomes comparava a um orgasmo mas que é na verdade muito mais do que esse espasmo animal, é uma flutuação do espírito, um acordo momentâneo entre todas as coisas, um segundo em que todos os obstáculos são removidos e a alegria não parece apenas um prémio fortuito, mas o fim último da existência.

Não posso saber que alegrias esqueci, mas sei bem que esta alegria do primeiro golo é tão real como naquele dia e, por isso, não os posso considerar, ao golo e à alegria, como menores. E talvez haja nesse momento longínquo o brinde de uma lição: às vezes não é preciso inventar, basta ter a audácia infantil de encostar para o fundo das redes.

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