Serpico

Frank Serpico. Polícia hippie e barbudo, vive em Greenwich Village, ouve ópera e é incorruptível (sugiro a canonização). Esta combinação improvável de vocação e de qualidades rende-lhe a inimizade dos colegas, o fim da relação amorosa e um sempre doloroso tiro na cara.
O idealismo do filme não era uma novidade na Hollywood liberal, nem sequer na carreira de Sidney Lumet (12 Angry Men). A diferença reside na imagem da polícia enquanto instituição corrupta, da base ao topo. “The system is corrupt”, berra Serpico sem que ninguém o oiça. O indivíduo contra o sistema com o fundo urbano do realismo sujo dos anos 70 (poucos anos mais tarde, um Al Pacino mais histérico voltaria a ser um homem contra o sistema em “…E justiça para todos”). Serpico diz que a polícia não faz ideia do que se passa nas ruas. E ele, tal como o cinema da época, sai para as ruas, suja-se, mistura-se, arrisca-se. O filme começa com um Serpico crístico e insiste na imagem de um homem contra os vendilhões do templo, até na cena mais notável do filme: a da solidão de Serpico, abandonado no parque pelos colegas que não conseguem convencê-lo a aceitar os subornos.
P.S. - A banda sonora não se percebe. Remete-nos para as raízes italianas de Serpico quando o filme quase que ignora essa questão étnica.
