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Abr09
Verhoeven
Bruno Vieira Amaral

Paul Verhoeven já foi chamado de misógino, racista, nazi e homofóbico. Não o convidem já para jantar. Vejam os filmes. Nas últimas duas décadas, Verhoeven tem sido dos poucos autores a trabalhar dentro do sistema de Hollywood e a fazê-lo de uma forma tão radical e pessoal. A assinatura (alguns chamam-lhe mau gosto) é a representação da violência e do sexo sem suavizações para as massas. O seu tríptico de ficção científica (Robocop, Total Recall e Starship Troopers) é o trabalho mais importante de reinvenção de um género cinematográfico na história recente do cinema americano. Nada de metafísica kubrickiana, nada da candura benigna e infantil de Spielberg. Ficção científica de regresso à série B, filtrada pela (in)sensibilidade de Verhoeven. Fez de Instinto Fatal um Vertigo trashy e explícito (comparar a cena da perseguição alucinante no primeiro com a perseguição sonâmbula e onírica no segundo). É um autor disfarçado de tarefeiro. Uma espécie em vias de extinção.
